O fim do ano é um momento estratégico para reflexão. Para organizações que buscam resultados expressivos, revisitar os esforços do ano é tão importante quanto celebrar as conquistas. Um fechamento estratégico, baseado em análises detalhadas, transforma aprendizados em insights que impulsionam o próximo ciclo.
Nesse contexto, as avaliações são ferramentas indispensáveis. Elas fornecem dados confiáveis para identificar ações que funcionaram, ajustar estratégias e direcionar os próximos passos com embasamento.
Tipos de avaliações
Vamos utilizar um exemplo onde você precisa avaliar programas ou projetos que foram implementados e estão em execução. Há diferentes tipos de avaliações que fornecem contribuições específicas para o planejamento estratégico e revisão desses projetos.
- Avaliação de Implementação: Analisa a execução do projeto ou programa, comparando o planejamento inicial com a entrega real. Examina recursos, cronogramas e processos para identificar possíveis desvios.
- Avaliação de Resultados: Mede o alcance dos objetivos e metas, destacando quais estratégias foram bem-sucedidas e onde os ajustes são necessários.
- Avaliação de Impacto: Determina se as mudanças observadas podem ser atribuídas diretamente ao programa ou intervenção, diferenciando seus efeitos de fatores externos.
Neste artigo, vamos mostrar também como alinhar essas ferramentas ao fechamento do ano para potencializar suas estratégias. Também trouxemos um exemplo prático das avaliações de resultados e impacto do Programa Bora, da Ambev, com as quais a Oppen teve a oportunidade de colaborar.
Por que avaliar o passado é essencial para o planejamento estratégico do futuro?
É preciso avaliar os efeitos das iniciativas ao longo do ano para um planejamento estratégico eficaz, considerando os achados avaliativos na tomada de decisão e no seu aprimoramento ou expansão. Isso envolve responder:
- Onde estão os gargalos que precisam ser resolvidos?
- Quais resultados não corresponderam às expectativas e por quê?
- O programa/projeto teve impacto?
Dados quantitativos, como indicadores e KPIs, aliados a informações qualitativas provenientes de beneficiários e stakeholders, criam um panorama completo. Critérios como eficiência, eficácia, relevância e sustentabilidade são essenciais para avaliar o desempenho organizacional.
Indicadores estratégicos no fechamento do ano
Os indicadores vão além de números e metas; eles são verdadeiras ferramentas de gestão estratégica. Seu papel é fundamental para mensurar o desempenho, monitorar ações e embasar decisões que maximizem resultados. Quando utilizados de forma inteligente, podem transformar dados em insights que impulsionam melhorias e geram impacto.
Principais aplicações dos indicadores:
- Qualidade do serviço/produto: Meça a satisfação dos beneficiários ou clientes com base em feedbacks, NPS (Net Promoter Score), ou outros indicadores de qualidade.
- Cobertura e alcance: Avalie o percentual de público-alvo efetivamente atingido por programas ou campanhas, garantindo que a iniciativa chegue onde é mais necessária.
- Impacto a longo prazo: Utilize indicadores que acompanhem mudanças estruturais ou comportamentais, fundamentais para medir efeitos duradouros das ações implementadas.
Dica prática: Considere a criação de um dashboard integrado, que combine indicadores financeiros, sociais e operacionais. Essa ferramenta não apenas facilita as avaliações no fechamento estratégico do ano, mas também oferece análises em tempo real e suporte contínuo ao planejamento estratégico e acompanhamento ao longo do próximo ano.
Insights das avaliações do programa Bora, da AMBEV
O programa Bora é uma iniciativa Ambev com o objetivo central de gerar oportunidades de trabalho e ganho de renda para pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Sua segunda edição foi objeto de um conjunto de avaliações que contaram com apoio e liderança da Oppen Social.
A partir da avaliação de resultados identificou-se que o principal motivo de desistência dos participantes do programa foi a dificuldade em conciliar o curso com a rotina. Por outro lado, os não desistentes avaliaram positivamente sua experiência, mas também indicaram possibilidades de melhoria, como a possibilidade de visualização de vagas disponíveis.
A avaliação de impacto realizada identificou também que o programa aumentou em 6 pontos percentuais a probabilidade de as pessoas participantes estarem empregadas, com indícios de efeitos positivos na ocupação qualificada e na renda sete meses após inscrição.
Conjuntamente, as avaliações demonstram a contribuição do programa, ao mesmo tempo em que fornecem indícios de caminhos para o seu aprimoramento.
Boas práticas para o fechamento estratégico
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Colete e sistematize os dados
Centralizar informações financeiras, operacionais e sociais facilita a análise e evita inconsistências. Ferramentas de integração são fundamentais para consolidar dados dispersos.
Dica prática: Tenha um sistema de monitoramento e avaliação que defina indicadores e permita identificar os dados a serem coletados ao longo do ano.
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Avalie as métricas de sucesso
Revise os indicadores (KPIs) definidos no início do ano para garantir que estejam alinhados às metas estratégicas. Identifique desvios e ajuste os indicadores para maximizar a eficácia no futuro:
- Eles estão representando metas estratégicas?
- Os resultados estão equiparados às expectativas?
- Houve desvios significativos nos objetivos, por quais motivos?
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Planeje com base em cenários
Lembre-se que as variáveis são inúmeras e a incerteza é uma constante. Os resultados encontrados esse ano podem não se manter no ano seguinte. Se planejar para diferentes cenários pode ajudar sua organização a se preparar para múltiplas possibilidades:
- Cenário conservador: Em caso de recursos limitados.
- Cenário de expansão: Caso novas oportunidades surjam.
- Cenário disruptivo: Adaptação rápida em caso de mudanças externas.
Preparação para o próximo ano
Após essa análise detalhada, as organizações devem transformar as percepções em ações concretas. Um bom planejamento estratégico para 2025 deve incluir:
- Definição de prioridades: Amplie ou reformule ações estratégicas.
- Alocação de orçamento: Baseada no impacto esperado e na eficiência das iniciativas.
- Engajamento de stakeholders: Envolva equipes multidisciplinares para construir estratégias mais sólidas.
Falaremos mais sobre planejamento estratégico no post do mês que vem, aproveite que está aqui para assinar nossa newsletter e não perder as próximas dicas.
Conclusão
O fechamento do ano estratégico é um exercício de aprendizado, além de um panorama para o futuro. Ao estruturar sua análise com base em dados, avaliações rigorosas e um entendimento claro do resultado, sua organização estará pronta para os desafios do próximo ciclo.
Inicie agora mesmo essa reflexão estratégica e transforme seus projetos em ações ainda mais impactantes. E se você identificar que não tem dados suficientes para fazer análises profundas agora, aproveite o começo do próximo ano para desenhar seu sistema de monitoramento e avaliação de 2025!