Em 2019, 23% dos alunos do ensino médio da rede pública desistiram dos estudos no 3º ano do ensino médio, segundo os indicadores do INEP.¹ O que acontecerá quando a próxima geração de profissionais não tiver as habilidades e conhecimentos necessários para desenvolver seus trabalhos, inovar e crescer?
Programas de bolsas de estudo, como o Pé de Meia, têm mostrado um impacto promissor. Dados indicam que essas políticas evitam a evasão de 1 a cada 4 estudantes, o que as coloca entre as soluções mais eficazes para evitar que realidades assim continuem acontecendo. Mas isso levanta uma pergunta difícil de responder na prática: como garantir que o investimento público esteja, de fato, gerando impacto ao invés de desperdiçado em políticas ineficazes?
A análise antes da intervenção
Esse é um dos temas centrais do livro “Bolsas de estudo e evasão: avaliação de impacto ex-ante”, que tem coautoria do nosso sócio fundador Samuel Franco, ao lado de Laura Almeida Ramos de Abreu, Laura Muller Machado e Ricardo Paes de Barros, e contou com a colaboração da nossa pesquisadora Débora Leandro. A obra é finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, no Eixo Ciência e Cultura, categoria Economia, um reconhecimento importante para um trabalho que nasceu com um propósito muito prático: ajudar o poder público a tomar decisões melhores.
O livro apresenta uma análise detalhada sobre como o desenho de políticas de bolsas pode influenciar a permanência de estudantes no ensino médio. Usando evidências e simulações, os autores demonstram como é possível prever o impacto de uma política antes mesmo de ela ser implementada, apoiando escolhas públicas mais eficazes e reduzindo o risco de desperdício de recursos.
Avaliar antes de implementar é uma forma de garantir que cada real investido em política pública gere o máximo de impacto possível.
Por que os jovens abandonam o ensino médio?
Os dados analisados no livro mostram que a evasão escolar no Brasil está muito mais ligada às condições de vida dos estudantes do que à educação em si. O principal fator é a necessidade de conciliar os estudos com trabalho ou responsabilidades familiares.²
- 47% dos jovens deixaram a escola para trabalhar, sendo 61% dos homens e 30% das mulheres.
- 14% saíram por responsabilidades domésticas, com forte desigualdade de gênero: 32% das mulheres contra apenas 1% dos homens.
Esses números mostram que qualquer política de combate à evasão precisa considerar o contexto de vida de cada estudante, não apenas o que acontece dentro da sala de aula.
Baixe gratuitamente o livro aqui e entenda como políticas públicas baseadas em evidências podem transformar a educação no Brasil.
Agora é hora de torcer
Para nós, ter uma obra nossa entre as finalistas do Prêmio Jabuti Acadêmico é motivo de muita alegria. Criado pela Câmara Brasileira do Livro, o prêmio reconhece e valoriza obras acadêmicas, científicas, técnicas e profissionais que contribuem para o avanço do conhecimento no Brasil.
Confira aqui a lista finalista concorrendo conosco.
Mais do que uma indicação, esse reconhecimento reforça uma convicção que acompanha a Oppen desde o início: boas decisões começam com boas evidências.
Somos uma consultoria de inteligência de impacto socioambiental e integramos Dados, Pesquisa e Estratégia para apoiar organizações a compreender desafios, mensurar resultados e transformar investimentos socioambientais em impacto.
A cerimônia do Prêmio Jabuti Acadêmico acontece em 11 de agosto de 2026. Até lá, seguimos na torcida.
Referências:
1. Insper/Oppen Social, com base nos indicadores educacionais do INEP – Taxas de Transição.
2. Insper/Oppen Social, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual, 2º trimestre, do IBGE.


