O Censo 2022 do IBGE revelou que 7,3% da população brasileira é formada por pessoas com deficiência.¹ Esse dado mostra que não estamos falando de um grupo residual, mas de uma parcela significativa da sociedade, cuja participação plena depende menos das limitações individuais e muito mais da forma como organizamos espaços, serviços, políticas e atitudes. Ainda assim, os obstáculos são enormes: o IBGE mostrou também que apenas 7,4% das pessoas com deficiência concluíram o ensino superior, contra 19,5% das pessoas sem deficiência.¹
Quando falamos em ESG, gostamos de pensar em métricas, relatórios e boas práticas. Mas, na essência, trabalhar com ESG é, antes de tudo, ter coragem de se perguntar o tempo todo: por que fazemos o que fazemos? Para quem? Quem fica de fora das nossas decisões? Uma das maiores barreiras para essa reflexão honesta é o greenwashing. Antes de falar de impacto para fora, precisamos olhar para a nossa própria casa, questionar rotinas, rever processos e reconhecer incoerências.
Na Oppen, buscamos criar espaços para esse tipo de conversa. Uma das ferramentas que usamos é o Oppen Talks, nosso fórum interno trimestral aberto a todo o time. Já discutimos temas como violência contra a mulher, com a delegada Natália Tenório Sampaio, que atuou na Delegacia da Mulher, e as vivências de pessoas trans no trabalho, com o executivo de marketing Guilherme Marques.
Com o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, celebrado em 3 de dezembro, sabíamos que esse deveria ser o tema para fechar o ano. Tivemos a honra de receber a psicóloga Joelma Cristina Santos, pesquisadora em Diversidade, Equidade e Inclusão no ambiente de trabalho, para uma conversa extremamente rica.
A sociedade ainda acha que pessoas com deficiência são pessoas incompletas
A partir da Lei Brasileira de Inclusão, Joelma explicou que pessoa com deficiência é aquela que tem um impedimento de longo prazo: físico, mental, intelectual ou sensorial. Que, somado às barreiras do ambiente, pode limitar sua participação plena na sociedade. Ou seja, o problema não está no corpo da pessoa, mas nas barreiras que criamos nos espaços, serviços e relações.
Ela também mostrou como ainda associamos deficiência a fragilidade, caridade ou incapacidade, o que alimenta o capacitismo: a ideia de que essas pessoas são menos capazes. Quando esse olhar não é questionado, ele aparece nas políticas de RH, na comunicação, na forma como organizamos o escritório e até nas plataformas digitais. O resultado é conhecido: menos acesso à educação, menos oportunidades de trabalho de qualidade e menos participação social, especialmente para pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade econômica.

O gráfico do IBGE mostra que pessoas com deficiência têm taxas de informalidade muito mais altas do que pessoas sem deficiência em todos os recortes analisados. No total, 55% das pessoas com deficiência ocupadas trabalham na informalidade, contra 38,7% das pessoas sem deficiência. Esse padrão se repete entre homens e mulheres e se torna ainda mais crítico quando olhamos para o recorte de cor ou raça.
Inclusão no trabalho: muito além da Lei de Cotas
No campo do trabalho, Joelma chamou atenção para um ponto sensível: recrutamento e seleção de pessoas com deficiência não se resume ao cumprimento da Lei de Cotas. Quando as empresas se limitam à obrigação legal, é comum ver práticas como contratar apenas pessoas com deficiências consideradas “leves”, buscar perfis que exijam menos adaptações ou alocar profissionais em funções incompatíveis com suas competências e escolaridade.
O que fazer em vez disso? O caminho proposto passa por cinco frentes principais:
- Garantir acessibilidade;
- Sensibilizar para incluir;
- Recrutar;
- Selecionar;
- Acompanhar.
Isso envolve repensar ambientes físicos e digitais, revisar descrições de vaga, capacitar lideranças e montar planos de desenvolvimento que considerem necessidades específicas, sem infantilizar nem limitar o potencial das pessoas. O foco precisa estar no talento e no potencial, não na limitação.
Ao mesmo tempo, empresas que criam condições adequadas para colaboradores neurodivergentes relatam aumento de criatividade, inovação, engajamento e resultados de negócio. Em outras palavras, incluir é uma decisão ética e estratégica.
Como a Oppen apoia organizações nessa jornada
Na Oppen, temos clareza de que a conversa não termina ao final do Oppen Talks. Usamos esses encontros para revisitar nossas práticas internas, ajustar processos de recrutamento, repensar políticas e fortalecer nossa própria coerência entre discurso e prática.
A partir da Oppen Impacta, nosso pilar de ESG e sustentabilidade, apoiamos organizações que querem levar essa discussão a sério também. Fazemos isso por meio de diagnóstico ESG, matriz de materialidade, monitoramento de indicadores sociais e avaliação de impacto socioambiental e muito outras soluções de sustentabilidade.
Quer fortalecer sua estratégia ESG com dados, escuta qualificada e estratégia da sua organização? Vamos marcar uma conversa para entender como?


